China alivia efeito da recessão interna no setor de carne no Brasil

China alivia efeito da recessão interna no setor de carne no Brasil

terça-feira, 14 de junho de 2016

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O setor de avicultura previa um modesto crescimento de 3% a 5% nas exportações de carne de frango neste ano. Passados os quatro primeiros meses, o aumento já é de 15%.
 
É uma surpresa agradável, segundo Francisco Turra, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).
 
Setor que cresce ainda mais é o de suínos, cujas expectativas de vendas externas também eram baixas: de 2% a 3% neste ano. No primeiro quadrimestre, o aumento já é de 68%.
 
O apetite chinês é o responsável por essas evoluções. Os chineses já assumem o segundo principal posto na compra dos produtos brasileiros exportados no setor de avicultura.
 
China e Hong Kong, juntos, já são os maiores importadores, segundo dados dos exportadores.
 
No caso da carne suína, os destaques na importação de produtos brasileiros são Rússia, China e Hong Kong.
 
No ano passado, o Brasil exportou 4,3 milhões de toneladas de carne de frango e 505 mil toneladas de carne suína, segundo a ABPA.
 
Turra diz que esse aumento nas exportações vem em boa hora. O mercado interno perdeu ritmo, devido à crise econômica, e os custos de produção dispararam com a alta nos preços do milho e do farelo de soja.
 
Com as exportações, dá para fazer um mix no rendimento das empresas, segundo o executivo da associação.
 
Os preços internos do produto são pressionados pela inflação e pelo desemprego, enquanto os externos têm uma folga maior devido à cotação em moedas fortes.
 
O setor passou a ser tão importante que o novo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, vai à China para liberar as exportações de carnes para outros frigoríficos brasileiros.
 
Turra diz que pelo menos seis estabelecimentos ligados à produção de aves e dois de suínos deverão receber o aval dos chineses nessa viagem do novo ministro.
 
Segundo o Ministério da Agricultura, pelo menos outros cem frigoríficos pedem liberação de mercado para exportação de carnes.
 
A China ganhou importância devido aos recentes acordos entre os dois países.
 
Nos quatro primeiros meses deste ano, já somam US$ 508 milhões, conforme os dados mais recentes da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).
 
As receitas com carnes de aves lideram as exportações brasileiras, somando US$ 256 milhões neste ano, 46% mais do que no ano passado.
 
A maior evolução, no entanto, foi da carne bovina. Os chineses, que não haviam feito compras no Brasil no início de 2015, já somam US$ 214 milhões até abril deste ano.
 
As receitas com carne suína também tiveram bom crescimento, saindo de 141 toneladas de janeiro a abril de 2015 para 38,1 mil em igual período deste ano.
 
Os dados provisórios de maio divulgados pela Secex também indicam evolução das exportações.
 
Clima 
 
Condições climáticas favoráveis no Meio-Oeste norte-americano e vendas de contratos futuros por parte de alguns fundos fizeram os preços dos grãos recuar nesta segunda-feira (23).
 
Milho 
 
O plantio nos Estados Unidos caminha para o final e já atinge 86% da área que será destinada ao cereal, dentro da média dos últimos cinco anos.
 
Soja 
 
O plantio também avança bem e já é de 56% da área prevista. Esse percentual está um pouco acima da média de 52% dos últimos cinco anos, de acordo com o Usda (Departamento de Agricultura).
 
Trigo 
 
O primeiro contrato do cereal caiu para US$ 4,62 por bushel (27,2 quilos), um recuo de 1,2% nas negociações desta segunda-feira.
 
Mauro Zafalon
Folha de S. Paulo 

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